Custo gerado pelas Restrições de Trânsito de Caminhões

Por: Antônio Lauro Valdívia

* Engenheiro de transporte, mestre em administração de empresas e assessor técnico da NTC&Logística

10.04.2012

A NTC & Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) através do seu Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Econômicas (DECOPE) realizou um estudo para determinar o impacto que as restrições à circulação de caminhões devem trazer ao transporte de carga. O resultado mostrou que as medidas restritivas geram um aumento nos custos do transporte de carga da ordem de 15,4% no custo total de transporte e 44% nas atividades de coleta e entrega nas regiões afetadas pelas medidas. Os valores desta magnitude não são, de forma alguma, possíveis de serem absorvidos pelas empresas de transporte, e neste caso foi necessária a criação de uma nova generalidade denominada por TRT (taxa de restrição ao trânsito) que cobrisse estes custos.


Esta nova generalidade ficou assim definida:


Taxa de Restrição ao Trânsito – TRT


Destina-se a ressarcir o transportador pelos custos adicionais sempre que a coleta e/ou a entrega for realizada em Municípios que possuam algum tipo de restrição à circulação de veículos de transporte de carga e/ou à própria atividade de carga e descarga. Inclui-se nesta generalidade as restrições impostas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, e outras que vierem a adotar medidas semelhantes.


Forma de cobrança: percentual do frete original


O valor foi fixado em 15% a ser acrescidos ao frete original, com valor mínimo de R$ 12,00, ou seja, para valores fretes até R$ 80,00 deve-se cobrar o valor mínimo. Nos casos onde há restrição na cidade de origem e na cidade de destino da carga a cobrança da TRT deve ser em dobro, ou seja, o percentual a ser acrescido passa a ser de 30%.


As dificuldades criadas ao transporte de mercadorias pelas medidas restritivas a circulação de veículos comerciais de carga são muitas, sendo que todas elas impõem aos transportadores e aos embarcadores aumentos de custos, seja na mão de obra ou material (equipamentos e infraestrutura).


O estudo partiu de uma pesquisa junto às empresas do setor, com o intuito de determinar quais as opções de operação que as mesmas estavam adotando para atender as necessidades dos seus clientes e as restrições impostas pelos órgãos públicos. Como resultado foram definidos três cenários descritos a seguir:


Cenário 1 – maior quantidade de veículos


A empresa transportadora é obrigada a colocar uma maior quantidade de veículos para realizar o serviço, ou seja, a frota é complementada com veículos que passam a trafegar em substituição aos que não podem rodar. Neste cenário estimou-se que a frota de coleta e distribuição teria que ser aumentada em 30%.


Cenário 2 – Maior quantidade de motoristas


As empresas mantêm a mesma quantidade de veículos, mas com a necessidade de contratar um número maior de motoristas e ajudantes para atender o período diurno e noturno. No cenário proposto o número de motoristas e ajudantes foi aumentado em 70%.


Cenário 3 – substituição veículos maiores por menores


São substituídos os caminhões maiores por veículos menores, neste caso estimou-se que a quantidade necessária de veículos para atender a demanda seria aumentada em 60%.


Após a caracterização dos cenários, calculou-se os custos envolvidos em cada um deles, por fim os resultados foram comparados ao custo anterior a restrição. O quadro abaixo apresenta de forma resumida os resultados obtidos.

 

 

 

 

 

Nota-se que em todos os três cenários houve aumento de custo que variaram de 10,9 a 73,9% no custo de coleta e entrega e de 3,8 a 25,9% do custo total. Adotou-se então a média dos três cenários para se chegar no índice final de aumento de custo, este procedimento se justifica porque se acredita que as empresas devem trabalhar com um mix destas soluções para atender as demandas de seus clientes.


Este resultado foi apresentado a Câmara Técnica de Tarifa e Comercialização (CTTC) para que os seus membros se posicionassem com relação ao estudo e a forma de cobrança. A câmara aprovou o estudo integralmente e dentre as formas de cobrança propostas, que foram as seguintes:


1. Aumento de 44% no valor do despacho para os municípios que possuem algum tipo de restrição ao trafego de caminhões;


2. Criação de uma generalidade para entregas e coletas com valor fixado em R$ 44,27 para os cep da região com restrição;


3. Diferenciar o valor da Taxa de Dificuldade de Entrega (TDE);


4. Aumento de 15,4% no frete peso total (coleta-transferência-entrega) para as cidades com algum tipo medida restritiva ao trânsito de caminhões.


O grupo determinou, em sua grande maioria, que a quarta opção seria a mais justa e a que teria menor impacto no mercado. Então, achou-se por bem que a maneira mais adequada seria a criação de uma nova generalidade a TRT, na forma descrita por este texto no seu início.


O valor é mais um custo que, infelizmente, deverá fazer parte dos custos dos grandes centros urbanos. Entretanto, o que todos esperam é que ele traga como contrapartida vantagens maiores que o custo gerado. As prefeituras destes municípios apostam em uma fluidez maior do trânsito com ganhos no tempo de viagens, na diminuição da poluição, no menor consumo de combustível, na qualidade de vida da população em geral, entre outros benefícios. Se tudo isto for alcançado, a conta que está sendo proposta é realmente muito baixa.

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