Plano de Gerenciamento de Risco
Nos primeiros seis meses deste ano, já foram registrados 3.477 roubos de carga, só no estado de São Paulo, e destes 3.011 foram na Grande São Paulo.
Entre os 466 ocorridos no interior, a região de Campinas é mais crítica, com 163 ocorrências. Os números são da Secretaria da Segurança Pública de São
Paulo.
Esse é apenas um dos fatores que levam as transportadoras a terem que, cada dia mais, investir não apenas em frotas e sistemas de tecnologia de
rastreamento e monitoramento, mas também seguir um Plano de Gerenciamento de Risco (PGR) adequado.
Com apenas 15 anos, o mercado de gerenciamento de risco é relativamente novo no Brasil. Não existe um profissional específico, e sim profissionais que
foram ao longo desses anos se especializando de acordo com as necessidades.
O que se observou durante os últimos quatro anos é que o mercado está passando por uma mudança quando o assunto é gerenciamento de risco. Antes,
a preocupação era focada na minimização da exposição do patrimônio de carga, hoje outros fatores como meio ambiente e treinamento para os condutores
estão tomando tal importância, que se não estiverem no processo de implantação do PGR, a operação pode não ter o sucesso esperado.
Max Rodrigues, explica o porquê dessa evolução. “Isso se deve também ao fato da criação de entidades de classe específicas para regulamentar as
atividades de gerenciamento de riscos e de tecnologia de rastreamento e monitoramento de veículos, exemplo da Gristec”, informa.
Embora a Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Riscos e de Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento (Gristec) não possa
isoladamente interferir nos projetos de seus associados, ela ajuda o mercado a conhecer as gerenciadoras de risco (GR) que atendem as regras básicas
para se intitularem como tal.
Cyro Buonavoglia, presidente da Gristec, afirma que uma gerenciadora de risco é mais que uma empresa com uma central de monitoramento. “Dentre os
130 itens que uma gerenciadora de risco precisa ter, 20 são imprescindíveis para a associação”, diz Buonavoglia, que também informa que o Plano de
Gerenciamento de Risco é definido pela GR.
O Plano de Gerenciamento de Risco tem por objetivo mapear e definir em detalhes o perfil real das operações de embarcadores e transportadores. Para
isso é importante analisar todos os fatores que envolvem a operação. “Em tese é a forma de padronizar visando evitar o roubo da carga, beneficiando
transportadores, seguradoras, embarcadores, e o consumidor final”, completa Buonavoglia.
O que se discute muito hoje é a busca por uma padronização do PGR, pois a transportadora deverá a cada novo contrato fechado aprovar uma PGR
específica com a seguradora, para o transporte da carga, o que exigem um bom planejamento interno.
Cleber Cuzziol, gerente de riscos da Ace Seguradora, explica que são muitos os itens obrigatórios a serem analisados para aprovação da apólice e para
cada tipo de transporte e de carga são normas diferentes a serem cumpridas.” Um PGR padrão seria o ideal, mas é inviável, são condições diferentes de
apólices, o que dificulta ter uma padronização. Embora as seguradoras do Comitê de Gerenciamento de Riscos da Federação Nacional de Seguros Gerais
(Fenseg), já trabalham para viabilizar um projeto de itens básicos e obrigatórios para os PGRs, o que acaba facilitando. Neste processo, a participação dos
corretores é fundamental para uma definição”, afirma. Seguindo a mesma opinião, Buonavoglia diz que, “não existe a possibilidade de ter um plano padrão,
cada caso é um caso, são mercadorias, rotas e riscos diferentes”.
O PGR é o que norteia toda a atividade final da gerenciadora. O não cumprimento dele em sua totalidade pode acarretar sérias penalidades por parte das
seguradoras como o descredenciamento ou, muitas vezes, prejuízos financeiros.
A análise deve ser realizada partindo do interior da instituição, organizando os dados de forma sistemática e contínua em todas as áreas envolvidas no
processo. Para isso, a visão tem que abranger todas as informações necessárias para implantação do PGR. Fazem parte desse estudo: pessoas, rotas,
regiões, veículos, equipamentos embarcados, horários e históricos de perdas, entre outros fatores, que variam de acordo com a operação que será
realizada, pode ser mais ou menos severo. O resultado é um mapa detalhado de toda a operação, que será utilizado para garantir perfeita harmonia entre
segurado, seguradora e o gerenciador de riscos sendo, este último, responsável pela aplicação do mesmo.
Sabe-se que o PGR bem trabalhado gera resultados positivos na segurança, no apoio logístico e na minimização de perdas. Para isso, é bom ficar atento
para que todas as empresas que fazem parte dessa cadeia cumpram o que foi prometido. Caso contrário, aquilo que parecia uma economia momentânea
poderá gerar um prejuízo incalculável.
Para Rodrigues, é fato que, como em qualquer serviço ofertado no mercado, existem vários tipos de prestadores de serviços, uns mais zelosos com
aspectos de qualidade e outros focados na precificação. “É muito fácil identificar a qualidade de uma gerenciadora que opera com 80 veículos por base
de outra que chega a operar com mais de 200 veículos por operador. O mais interessante é que há ainda a existência destes prestadores de serviço no
mercado, que são mantidos por clientes com uma visão ultrapassada e imediatista de redução de custos, que aos poucos vem sendo restringida pela ação
enérgica das companhias de seguro”, esclarece.
Principais etapas da implantação de PGR em uma gerenciadora de risco e/ou transportadora:
1° Análise do cliente mapeando toda sua operação Veículos, rotas, destinos, origens, carga, pessoas envolvidas direta e indiretamente, etc…
2° Análise de sua Apólice de Seguro
Entendimento das exigências feitas pela seguradora: equipamentos, valores de embarque, procedimentos específicos, etc…
3° Elaboração do PGR
Confecção do PGR e apresentação para aprovação junto ao cliente e sua seguradora.
4° Implantação no Cliente “local”
Equipe da gerenciadora irá até as unidades do cliente para treinamento e adequação do PGR. O tempo varia de acordo com a operação, mais ou menos
complexa.
5° Início das operações “remotas”
Na unidade de monitoramento da gerenciadora os operadores de monitoramento começam a cumprir as orientações descritas no PGR.
6° Retro Alimentação “Avaliação”
Momento que o cliente recebe informações de como está sua operação e possíveis pontos de melhoria.
Embora ainda existam transportadores que não se deram conta do PGR de uma forma ampla e que se restringem apenas ao que é imposto pela seguradora,
muitas empresas de transporte vão além. “Essas contam com uma aplicação mais ampla, utilizando o PGR não só para a minimização de seus riscos
aos bens materiais, mas atuam de forma a garantir inclusive a geração de índices de ocorrências e mapeamento de seus pontos críticos como acidentes,
gargalos logísticos e auxílio de diversas certificações como Sasmaq” relata Rodrigues. E resume: “para que um PGR traga resultados, informação,
conhecimento e experiência são as principais ferramentas na elaboração do mesmo”.
Contudo, apenas a análise e gestão de risco não resolvem os problemas destacados. É preciso que as transportadoras, gerenciadoras de risco e operadores
logísticos invistam continuamente em recurso tecnológicos de segurança, tanto para a proteção de seus veículos quanto para os centros de distribuição –
CD’s ou locais de armazenagem. Deve-se investir na infraestrutura dos referidos locais de forma que está propicie ao corpo operacional maior segurança,
bem estar e conforto durante a operacionalização dos produtos e serviços dispostos nestes ambientes. Ressalta-se que a qualidade desta atividade depende
da integração dos profissionais de logística e segurança para a melhoria continua dos serviços oferecidos aos clientes.
Fonte: Portal da Segurança Empresarial